Um casal que tinha brigas freqüentes e de grandes proporções. É o que dizem testemunhas ouvidas pela polícia. Os depoimentos que estão no inquérito revelam mais: o relacionamento de seis anos dava sinais de crise, devido ao ciúme que Anna Carolina Jatobá tinha da mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira.
Quando a madrasta e o pai da menina moravam em outro prédio, entre 2005 e 2007, vizinhos declararam à polícia ter ouvido várias discussões. Em uma delas, segundo um dos moradores, Anna Carolina Jatobá chegou a dizer ao marido que estava mal casada, que ele tinha uma ex-mulher e que infelizmente havia laços que não seriam desvinculados.
Para a policia, era esse casal em conflito que chegou ao edifício London no fim da noite de 29 de março, o sábado em que Isabella foi assassinada.
Com os laudos da perícia, os policiais estabeleceram o que aconteceu, na visão deles, naquela noite e qual foi a participação do casal no crime. Os peritos encontraram sangue da menina em três pontos do carro da família, uma prova de que ela chegou machucada ao prédio.
Também havia pingos de sangue da porta de entrada do apartamento até o quarto dos irmãos. Segundo os laudos, Isabella foi carregada por alguém que tem altura compatível com a de Alexandre Nardoni. Havia sangue também no tênis da madrasta e no chinelo do pai. Outra conclusão: ao ser esganada, a menina teve uma parada respiratória e desmaiou, mas ainda estava viva quando foi jogada pela janela. Segundo os peritos, as marcas deixadas no pescoço de Isabella são compatíveis com o tamanho das mãos de Anna Carolina Jatobá, a madrasta.
Os peritos afirmam ainda que a única forma de entrar no prédio sem ser visto seria escalando o muro. Mas as análises não encontraram sinal de invasão. Segundo os laudos, está descartada a possibilidade de uma terceira pessoa ter ido ao apartamento. Quem defende o casal não concorda.
“A defesa não muda, não há o que mudar. Nós estamos comprovando com testemunhas que realmente o prédio é vulnerável. Gente que não tem nenhuma ligação conosco”, afirma Antonio Nardoni, pai de Alexandre.
A polícia indiciou Alexandre e Anna Carolina com base principalmente no trabalho dos peritos e no relato de testemunhas. Entre elas, moradores do edifício London e do prédio ao lado.
Dezoito metros separam o apartamento de Alexandre Nardoni do apartamento de um casal. Os dois contam que, com o silêncio do bairro, depois das 23h, foi possível ouvir uma discussão entre o pai e a madrasta de Isabella, minutos antes do crime.“Eram muitos palavrões, não era uma briga típica de casal. Era uma briga de desespero”. Outra revelação veio de um morador do próprio edifício London. O apartamento dele fica a 15 metros dos quartos da família Nardoni. Ele disse que ouviu gritos de criança, dizendo: “Papai, papai, papai, pára..pára!”. Cerca de cinco minutos depois, escutou um estrondo. Era Isabella que tinha caído.
Com base nas informações de peritos e do projeto do edifício London, o Fantástico fez uma réplica virtual do quarto de onde Isabella foi jogada. O local tem televisão, um pequeno armário no chão. As camas dos irmãos da menina ficavam uma ao lado da outra e a janela ao fundo. Havia pingos de sangue de Isabella no chão e nas camas. O mais evidente estava no colchão, bem próximo da janela.
Os peritos ainda encontraram nos colchões marcas de chinelo compatíveis com o que Alexandre Nardoni usava no dia do crime.
Na camiseta dele, ainda havia marcas da rede de proteção da janela. Segundo a polícia, essas provas técnicas levam a seguinte conclusão: o pai jogou a menina pelo buraco feito na rede e a queda foi determinante para a morte de Isabella.
Os peritos reforçam: as marcas encontradas na roupa de Alexandre não são de quem simplesmente teria olhado pela tela rasgada. A sujeira e a pressão exercida sobre a rede deixaram marcas que, de acordo com as análises, só seriam possíveis se a pessoa tivesse pressionado firmemente o corpo contra a tela, com os braços esticados. E foi nesta posição que Isabella foi jogada, apontam os laudos.
Nesta semana, a polícia pretende fazer a reconstituição do crime, com a presença de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Será mais uma tentativa de descobrir exatamente o que aconteceu naquela noite, naquele quarto do edifício London. object>
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